Maragogi, o Caribe brasileiro e suas piscinas naturais, em área de preservação ambiental

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Município localizado no estado de Alagoas faz parte do complexo da Costa dos Corais, uma Área de Preservação Ambiental, com parceria público-privada, visando a preservação e o desenvolvimento ecológico da região.

AMAURI TERUO YAMAZAKI – Maragogi – AL

Visitar a pequena cidade de Maragogi (30.000 habitantes) ao norte de Alagoas, é como visitar o Caribe com apenas 3 horas de voo (São Paulo – Maceió) sem a necessidade de deixar o país.

Praias paradisíacas, densos coqueirais e águas esverdeadas, fazem o turista ter a certeza de que fez uma excelente opção de viagem, sendo o destino principal de uma das maiores operadoras de viagem do Brasil (CVC).

Maragogi é a segunda cidade mais visitada do Estado de Alagoas (a primeira é a capital Maceió) onde o visitante encontra piscinas naturais ideais para o mergulho amador, praias de mar calmo e uma boa rede de hotéis e pousadas.

Localizada a 130 km de Maceió/AL e a 137 km de Recife/PE, a região faz parte da Costa dos Corais, a segunda maior barreira de corais do mundo (a primeira está na Austrália) e a maior Área de Preservação Ambiental da Marinha brasileira.

A região faz parte da Costa dos Corais, uma Área de Preservação Ambiental criada em 1995, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Foto: Rafael Munhoz
A região faz parte da Costa dos Corais, uma Área de Preservação Ambiental criada em 1995, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Foto: Rafael Munhoz e W Benedetti

Criada por decreto do governo federal em 1997, a APA Costa dos Corais tem 135 km de extensão e abrange quatro municípios de Pernambuco e nove de Alagoas.

A fama da região vem de suas piscinas naturais localizadas a cerca de 5 km da praia, formadas por arrecifes naturais. Para se chegar ao local o indicado é contratar os serviços de catamarã ao custo aproximado de R$ 50,0 por pessoa, com duração de 2 horas, devido as regras de preservação da região.

O mergulho com snorkel
O mergulho com snorkel é um dos passeios favoritos dos turistas. Foto: Rafael Munhoz e W Benedetti

Para aproveitar bem o passeio é recomendado visitar as piscinas com a maré baixa, para que o turista possa encostar o pé no chão nas piscinas naturais. O snorkel (máscara e respirador) são indispensáveis para visualizar bem a variedade de peixes, corais e ouriços do mar que povoam com exuberância a região. As lagostas têm hábitos noturnos e não são encontradas durante o dia, onde ficam escondidas nas pedras.

Para visitar as piscinas naturais o melhor horário é o da maré baixa, ao redor das 11 hs da manhã. Foto: Rafael Munhoz
Para visitar as piscinas naturais o melhor horário é o da maré baixa, ao redor das 11 hs da manhã. Foto: Rafael Munhoz e W Benedetti

PARCERIA PÚBLICO PRIVADA PRESERVA E INCENTIVA O TURISMO SUSTENTÁVEL DA REGIÃO

Uma das preocupações da região estava na possível extinção do peixe boi marinho (pode chegar a 600 quilos), que devido a sua mansidão, era facilmente capturado pelos pescadores que reclamavam que o animal estragava as redes de pesca.

Há sete anos, uma parceria entre a Fundação Toyota, SOS Mata Atlântica e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), deu início a um trabalho para a preservação, recuperação e reprodução do animal marinho.

O peixe-boi pode chegar até 600 quilos. Foto: Divulgação
O peixe-boi pode chegar a 600 quilos. Foto: Divulgação

O projeto Toyota APA Costa dos Corais tinha, e continua tendo, o objetivo também de preservar os 135 km da barreira de corais e recifes da região devido ao turismo sem planejamento (lixo e poluição) e pela falta de conscientização da população local, também ameaçava a preservação dos corais.

Os corais e recifes funcionam como abrigo marinho de uma infinidade de seres marinhos como esponjas marítimas, peixes, lagostas, algas e ouriços do mar, formando uma cadeia alimentar eficiente e sustentável.

Os recifes e os corais são responsáveis pela maior reserva de biodiversidade dos oceanos, sendo comparados às florestas tropicais, pela riqueza de sua fauna.

Projeto APA Costa dos Corais, parceria entre a Fundação Toyota, SOS Mata Atlântica e ICMBio. Foto: Rafael Munhoz
Projeto APA Costa dos Corais, parceria entre a Fundação Toyota, SOS Mata Atlântica e ICMBio. Foto: Rafael Munhoz

Para que algumas regiões recuperassem a sua diversidade foram criadas “áreas fechadas” chamadas de Zonas de Preservação de Vida Marinha (ZPVM), onde os pescadores e os turistas não podem entrar. Quem entra é multado. As ZPVM são sinalizadas através de boias próximas a costa.

Nestas áreas somente os pesquisadores e oceanógrafos podem entrar.

Após um período de cinco anos, estas ZPVM apresentaram um considerável aumento de peixes e crustáceos, conforme planejado pela parceria público privada.

Nas ZPVM, os peixes e crustáceos se reproduzem, crescem e posteriormente acabam se deslocando para fora da área fechada, estando disponíveis para os pescadores licenciados.

No início, muitos pescadores reclamaram das áreas fechadas, mas após constatarem os resultados tornaram-se favoráveis, pois são um dos principais beneficiários da recuperação da fauna marinha, assim como o turismo ecológico.
Para cada ZPVM, foi criada também uma Zona de Visitação (ZV) onde são permitidas visitas, com regras de horário e número de visitantes a serem respeitados.

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As ZPVM (Zonas de Proteção da Vida Marinha) são locais onde somente autoridades e pesquisados podem entrar, visando a preservação das espécies. Após um período de 5 anos, verificou-se um aumento na fauna marinha que transbordou para outras regiões fora da ZPVM. Foto: Rafael Munhoz e W Benedetti

Instituto Biota

De acordo com o Instituto Biota, organização não governamental que promove a conservação de mamíferos aquáticos e tartarugas marinhas, o aumento do número de encalhes de baleias na região, indicam um aumento populacional da espécie, com destaque também para o aumento na desova de tartarugas marinhas.

O instituto tem realizado um trabalho de treinamento com pescadores e voluntários, para dar os primeiros socorros aos animais encalhados, pois dependendo do local, o socorro especializado pode demorar de 2 a 3 horas para chegar até o local. O rápido atendimento dos primeiros socorros é fundamental para a recuperação dos animais, pois no encalhe eles podem sofrer graves queimaduras do sol forte característico da região.

RESGATE, RECUPERÇÃO E SOLTURA DOS PEIXES-BOI

Durante a nossa visita à região estava programada a soltura de Ivi, um peixe-boi de seis anos de idade e 436 quilos, o 46º animal devolvido à natureza, desde 1994, pelo Programa Peixe-boi/CEPENE (Centro de Pesquisa e Biodiversidade Marinha do Nordeste) do Instituto Chico Mendes (ICMBio).

A devolução foi realizada na manhã do dia 5 de abril no rio Tatuamunha, em Porto das Pedras/AL, após ser colocado um rastreador para monitoramento no animal.

Historicamente os peixes-boi são localizados ao longo do litoral do Espirito Santos até o Amapá, e devido ao trabalho de preservação, desde 2014, a espécie deixou de constar na categoria “Criticamente em Perigo”, passando para a categoria “Em Perigo”.

Peixe boi Ivi liberada após um período de recuperação e engorda. Foto: Rafael Munhoz
Peixe boi Ivi liberada no dia 5 de abril após um período de recuperação e engorda. No dia da soltura foi colocado um rastreador para acompanhar o animal. Foto: Rafael Munhoz e W Benedetti

A reintrodução de Ivi, assim como os oito filhotes nascidos de fêmeas devolvidas à natureza nos últimos anos, estão entre alguns dos resultados alcançados pela parceria público-privada entre a Fundação Toyota, SOS Mata Atlântica e o ICMBio.

Alguns peixes-boi após a soltura, não se adaptam à vida natural apresentando perda de peso, ferimentos e tornando-se presas fáceis, retornando para os recintos naturais de recuperação (rio Tatuamunha no estado de Alagoas).

De acordo com o ICMBio, no segundo semestre deste ano, mais dois peixes-boi deverão ser devolvidos à natureza, no mesmo local onde foi solta Ivi.

Rio Tatuamunha onde é reallizada a recuperação dos peixes boi, que posteriormente são devolvidos a natureza. Foto: Rafael Munhoz
Rio Tatuamunha em Alagoas, onde é realizada a recuperação dos peixes boi, que posteriormente são devolvidos à natureza. Foto: Rafael Munhoz e W Benedetti

Os peixes-boi são mamíferos herbívoros, alimentando-se de 8 a 13% do seu peso diariamente, sendo o capim agulha, folhas do mangue e algas marinhas, seus alimentos preferidos.

Percival Maiante, presidente da Fundação Toyota do Brasil. Foto: Amauri Yamazaki
Percival Maiante, presidente da Fundação Toyota do Brasil. Foto: Amauri Yamazaki

São animais de difícil reprodução e quando reproduzem, geram apenas 1 cria que leva de 12 a 14 meses de gestação. A cada reprodução levam 4 anos para se reproduzir novamente.

De acordo com o site www.decolar.com um pacote incluindo a parte aérea e o hotel em Maragogi para um período de 3 noites, tem custo ao redor de R$ 2.000,00 a R$ 3.900,00 por pessoa, dependendo do hotel.

FUNDAÇÃO TOYOTA

Criada em abril de 2009, a Fundação Toyota atua na preservação ambiental e na formação de cidadãos com cursos para preservação da água, energia elétrica e preservação ambiental. A fundação atual também em ações sociais como a recuperação da biblioteca de São Bernardo do Campo – SP e doação de material escolar para crianças.

Veículos com tração 4 x 4 são ideais para visitar a região. Foto: Rafael Munhoz
Veículos com tração 4 x 4 são ideais para visitar a região. Foto: Rafael Munhoz
Alunos das escolas públicas do município recebem orientação da importância da preservação ambiental. Foto: Amauri Yamazaki
Alunos das escolas públicas do município recebem orientação da importância da preservação ambiental. Foto: Amauri Yamazaki

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